O Conto da Formiguinha e do Velho Gafanhoto

O Conto da Formiguinha e do Velho Gafanhoto
Por Lincoln Daniel C.S.


Este é o conto da formiguinha e do velho gafanhoto.

Pois bem, a formiguinha andava de um lado para o outro, trabalhando todos os dias incansavelmente. Porém, essa formiguinha era diferente, porque ela não ficava apenas olhando para a frente. Ela continuava olhando para o lado.

E aquela pequena formiguinha tinha um sonho.

Mas o que lhe bastava era trabalhar, trabalhar e trabalhar.

Talvez você estranhe a história que estou a te contar, porque o normal é imaginar que o desejo de uma formiga seja trabalhar. Mas aquela formiga estava cansada de apenas trabalhar, viver para trabalhar, existir somente naquele propósito, enquanto se esquecia daquele sonho.

E um dia, a formiguinha, como sempre, trabalhava, até que olhou para o lado e viu o velho gafanhoto.

E o velho gafanhoto viu que a formiguinha o havia visto e disse:

— O que há contigo, minha jovem e pequena formiga?

E a formiguinha lhe respondeu:

— Pois estou muito bem, senhor gafanhoto. Eu é que lhe pergunto: o que fazes da vida, meu gafanhoto?

Disse o velho gafanhoto:

— Também, como você, talvez um pouco menos, trabalhei toda a minha vida. Pois agora me retiro para viver aquilo que, trabalhando, eu perdi.

E a formiguinha perguntou ao gafanhoto:

— Por que lhe bastou trabalhar por tanto tempo e não encontrar nada?

E o gafanhoto disse:

— Tudo o que eu fiz não me foi suficiente. Mas o que te incomoda tanto para que tenhas tantas perguntas, pequena formiga?

E a formiguinha disse:

— Pois não acho que a vida seja só o que fazemos, mas também aquilo que escolhemos viver. Tenho em mim um sentimento novo que não sei te explicar.

E o velho gafanhoto disse:

— Oh, pequena formiga, seria uma palpitação diferente no coração?

Pois a formiguinha disse:

— Sim. O meu coração bate muito mais rápido. De repente, o meu corpo inteiro se aquieta. Quando estou trabalhando, olho ao lado e vejo ela passar.

E perguntou o velho gafanhoto:

— Ela quem, oh pequena e nobre formiga?

E novamente respondeu a pequena formiguinha:

— Quando eu vejo a minha amada formiga passar.

E então o velho gafanhoto perguntou:

— Diga-me, pequena formiguinha, o que te impede de ir e declarar-te a essa outra formiga?

E a formiguinha disse:

— Pois bem, se eu fizesse isso, atrapalharia o meu propósito de trabalhar.

E o velho gafanhoto disse:

— Mas o que vale o trabalho, se pelo trabalho não houver espaço para o amor?

E a pequena formiga disse:

— Não sei se tenho dias para isso. Nosso tempo é muito curto. Pois, quando amanhã chegar, não saberei o que fazer.

Então o gafanhoto disse:

— Então vá agora mesmo até ela.

E a formiga, agradecendo, se despediu e correu até a formiga amada.

Fim.

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