A Folha que perguntava
Havia uma folha de uma árvore que via todas as outras folhas. Quando ficavam velhas, elas se soltavam.
Cheia de perguntas, ela mesma resolveu, mesmo tão jovem, se soltar para perguntar ainda mais.
E o vento a levou por diversos lugares.
Ela encontrou uma raposa e lhe fez uma pergunta.
E a raposa lhe deu uma resposta.
Insatisfeita, o vento a levou até um lobo e, novamente, ela perguntou.
E o lobo respondeu.
Os ventos a levaram até uma lagarta.
E, perguntando à lagarta, a lagarta respondeu.
Mas, ainda insatisfeita, os ventos a levaram embora e, alguns dias depois, a trouxeram de volta.
Uma bela borboleta voava por ali.
Não sabia ela que aquela borboleta era a própria lagarta.
Então perguntou à borboleta.
E a borboleta disse:
— Novamente lhe digo o que disse antes. Mas agora, por outra perspectiva, lhe digo o mesmo, embora já diferente.
E o vento a levou.
De repente, ela caiu em um rio.
Ali perguntou aos peixes que moravam naquelas águas.
E os peixes, um a um, iam respondendo suas inúmeras perguntas.
Até que aquele rio desaguou em uma cachoeira, e a cachoeira desaguou em um lago, e o lago desaguou em um rio que, por fim, se lançou ao mar.
E no mar ela perguntava aos marinheiros.
Perguntava aos golfinhos.
Às baleias.
E até mesmo aos tubarões.
E, insatisfeita com todas as respostas, deixou-se levar pelas águas até uma praia.
Quando chegou à areia, descansou olhando para o céu.
Ainda não satisfeita.
Então alguém pisou sobre ela.
Já antiga e velha para andar, ressecada por estar longe de sua árvore, aquela folha tornou-se semelhante à própria areia.
E, quando a água bateu sobre ela, levou o que restava.
Ela secou.
E se tornou pó.
E o pó voava pelo ar até onde este conto pode chegar.
Fim.
— Lincoln Daniel C.S.
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