A Pequena Nuvem

Nuvens começaram a se formar no céu, brancas como a neve, parecendo algodão-doce. Elas se juntavam, tornavam-se grandiosas e densas, cada vez mais escuras, e então choviam e se dissolviam. Ali, suas histórias acabavam para que outras histórias pudessem começar.

Mas uma nuvem se negou.

— Por que eu tenho que chover agora? Por que já tenho que me dissolver? Pois eu me nego.

E as outras nuvens disseram:

— Você está louca? Maluca? Você foi feita para chover, e está na hora de ir.

E ela respondeu:

— Pois bem, sei que para isso vim a este mundo. Mas não é isso o que permitirei que me aconteça agora.

Então aquela nuvem deixou que o vento a levasse.

O vento a levou por montanhas, por cidades, por vales e por vilas; de um país para outro, até que chegou ao oceano. Ali, as correntes de ar marítimas foram carregando-a cada vez mais adiante. E, cada vez maior e mais cheia, ela seguia sem saber exatamente para onde os ventos a levariam.

Cada vez maior e cada vez mais cheia, era como se suportasse uma enorme pressão, mas dissesse a si mesma:

— Ainda há caminho. Ainda há algo depois deste mar.

E repetia:

— Aguente, pois maior será a minha potência.

E ela seguia pelo mar, até chegar a algum lugar onde tudo era amarelo. Talvez laranja. Talvez bege.

Era uma imensidão de dunas e mais dunas, areia e mais areia, e talvez um pouco de terra.

Ali habitavam criaturas sedentas por água. A própria vegetação clamava aos céus para que uma pequena gota caísse. Animais, leões, antílopes e tantos outros morriam, literalmente morriam de sede.

Foi então que ela se espantou com a beleza e a hostilidade daquele lugar.

E quanto mais hostil aquele local lhe parecia, mais beleza ela encontrava.

Até que olhou para cima, olhou para baixo e olhou ao seu redor.

Então disse:

— Aqui me basta. Aqui valeu a pena. Aqui é o meu lugar.

E, quando ela disse isso, como um grande alívio, os céus se romperam.

Desabaram como um oceano sobre aquele deserto.

E onde a vida era escassa, e onde a alma era seca, surgiram rios e lagos. O próprio oceano pareceu repousar sobre aquele deserto, trazendo vida e saciando todos aqueles que suas águas encontraram.

Fim.


Conto de Lincoln Daniel C.S.

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